Fortaleza, 30/06/09 (MJ) - Um corpo carbonizado é encontrado pela polícia. Uma família registra uma ocorrência de desaparecimento. Os agentes verificam que as características do corpo são parecidas com as da pessoa procurada. Os restos mortais do indivíduo são encaminhados para análise de DNA, que será comparada com a de seus possíveis familiares.
O caso faz parte dos estudos realizados por peritos forenses de 11 estados que participam do 3º Curso Teórico-Prático de Tecnologias Avançadas em DNA Forense, promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do Ministério da Justiça (MJ), em Fortaleza (CE).
O curso é resultado de uma parceria da Coordenação de Perícia da Senasp com a Polícia Especializada Forense do Ceará, o Instituto de Criminalística de Minas Gerais e a empresa Prodimol. A meta é padronizar o trabalho com as técnicas mais avançadas para a resolução de crimes.
A supervisora do Núcleo de Perícia em DNA Forense do Ceará, Teresa Cristina Rocha, explica que são várias as situações em que a análise do DNA é utilizada, como na confirmação de paternidade e maternidade, troca de bebês, identificação de desaparecidos e esclarecimento de crimes como homicídios e estupros.
Os professores são peritos criminais do Instituto de Criminalística de Minas Gerais e pós-doutores na área de DNA da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participam profissionais do Acre, Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins. Ao todo, o curso tem 40 horas/aula e vai até o dia 3 de julho.
DNA
O exame de DNA é realizado como parte das investigações que compreendem comparações genéticas. Um exame mais simples – de paternidade, por exemplo – custa em média R$ 500.
No caso tratado durante o curso da Senasp, o legista previamente verifica se o corpo carbonizado é de mulher ou homem e identifica a idade aproximada, por meio de avaliação óssea e da arcada dentária.
A perita Teresa Cristina Rocha lembra que os pais são os parentes ideais para doarem amostras para análise genética em caso de identificação de cadáver, já que a formação do DNA do indivíduo é pela junção das células do pai e da mãe.
Teresa explica que o exame é mais rápido quando é possível fazer análise do sangue da cavidade cardíaca, de órgãos ou fragmentos de tecidos, como músculo.
Como funciona
O DNA pode ser obtido de evidências biológicas como sangue, sêmen, saliva, secreções e tecidos. A amostra é colocada dentro de um reagente e inserida no equipamento “Maxwell 16”, que rompe a célula depois de sete etapas. No máximo em 40 minutos, a máquina apresenta o DNA.
Depois disso, é preciso fazer a quantificação, em um processo chamado de “PCR em tempo real”, para saber se existe uma quantidade necessária de moléculas para análise.
Em seguida é preciso amplificar o DNA. Para isso, é realizada uma reação de PCR que aumenta o número de cópias da célula. Em 3 horas, o número pode chegar a 1 bilhão de cópias.
A leitura da amostra é realizada pelo “Seqüenciador ou Eletroforese Capilar”, que é capaz de ler quatro amostras em 40 minutos. Com os dados dessa máquina é que será feita a análise final, quando poderá ser determinada a existência de parentesco com o DNA analisado.